Resposta Certa, David Nicholls

Escrito por Nicholls, Resposta Certa tem um tom muito leve e juvenil, segue uma linha bem próxima às comédias românticas que conhecemos e é divertidíssimo.

Eu ri alto logo nas primeiras páginas, quando o jovem Brian Jackson se prepara para ir para faculdade, e dá explicações detalhadas e filosóficas sobre cada item que põe na mala ou deixa para trás.

“- Brian Jackson na flauta…
– E a multidão vai à loucura…”

Órfão de pai, Brian cresceu em uma cidade pequena com sua mãe, obcecado por seus estudos, e considerando que seus resultados nos exames foram o ponto alto de sua vida, consegue uma bolsa de estudos em uma das melhores faculdades do país.

Brian Jackson é um babaca, não tem explicação melhor, ele é o perfeito babaca tentando ser legal, e isso é delicioso, torna o personagem quase palpável de tão real. Ele é consciente de todas as suas esquisitices e defeitos, as besteiras jorram de sua boca desenfreadamente, e ele sempre sai constrangido, e nós, deste lado do livro também. Perdi a conta de quantas vezes tive que fechá-lo pensando “não, ele não pode ter feito isso!”.

Já na faculdade, ele entra no time que irá participar do Desafio Universitário, um programa de TV que seu pai acompanhava.
Nosso herói é um obcedado, por conhecimentos gerais, pela cantora Kate Bush e Alice Harbinson, a garota errada, por quem ele obviamente tinha de se apaixonar.

Nicholls desenvolve lindamente o personagem principal, seu amor platônico Alice, mas sinto que ele perdeu grandes personagens no caminho, a amiga Rebecca que é muito importante na trama, parece ser somente uma rebelde sem causa. E o melhor amigo Spencer que encanta em todos os momentos em que aparece, mas quando começamos a nos envolver acaba se perdendo. Em um trecho ele faz Brian ouvir repetidamente uma música, até que ele escute que ele e o flautista tem o mesmo nome, e isso ficou gravado na minha memória, é um cena tão boba, mas que reflete muito o carinho de uma verdadeira amizade.

Não dá pra comparar Resposta Certa com Um Dia, não faça isso, já estamos calejados de saber que depois de um grande sucesso as editoras nos enfiam goela abaixo livros antigos do autor e geralmente de qualidade inferior. São dois temas distintos, duas épocas diferentes, e de preferência para que você leia em dois momentos diferentes de sua vida, pois são histórias igualmente encantadoras.

Uma reclamação que preciso fazer é quanto à tradução, algumas frases sem sentido, meio perdidas e muitos erros de digitação(mais nos capítulos finais) me deixaram bem emburradinha. Ok, sou bem chata, mas esses erros cometo eu, que não tenho revisor.


Resposta Certa
David Nicholls
Editora Intrínseca
Tradução: Claudio Carina
Páginas: 346
Ano: 2003 [Publicado no Brasil em 2012]

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Um Dia, David Nicholls

“Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse
te dar só um presente
para  o resto da sua vida seria este.
Confiança.
Seria o presente da Confiança.
Ou isso ou uma vela perfumada.”

Um Dia, de David Nicholls, é um romance romântico que foi calorosamente recebido pelos leitores ao redor do mundo este ano, inclusive aqui no Brasil. Quando vi o cartaz de publicidade no metrô dizendo que o livro era sobre Um Dia, Vinte Anos, Duas Pessoas e uma história de amor mal resolvida, senti aquele gostinho amargo de identificação e me rendi à leitura.

O livro é, de fato, surpreendente. Te envolve e carrega página após página. Para as meninas, é a oportunidade de se enxergar no papel de Emma, apaixonada por alguém que não enxerga o seu amor, e avançar os parágrafos, querendo saber como a personagem – e porque não, amiga – lidou com o sentimento negligenciado.

Particularmente, Um Dia me fez puxar o freio de mão da vida e pensar que, assim como naquela história, muitos sofrem a lenta morte de seus sonhos enquanto assistem o sucesso chegar para quem segue a vida sem preocupações. (mas as preocupações devem existir, não devem?)

Livro da Denise, porque eu li emprestado e agora estou enlouquecida pra ter o meu.

Traduzido para o português por Claudio Carina, a narrativa é suave e se esquiva dos tradicionais clichês dos best-sellers românticos. É um livro para se ler no metrô, andando na rua, no sofá de casa, na casinha de sapê. Um livro que te acompanha despretenciosamente, te faz sorrir e até chorar.

Não é, no entanto, o tipo de história que se resume para um amigo no bar. O resumo possível de se extrair de Um Dia é aquele que a própria editora habilmente usou como slogan publicitário: Um Dia, Vinte Anos, Duas Pessoas. A história de Dexter e Emma é para ser descoberta e acompanhada. E o final – calma, eu não o contarei – o final é a última gota de realidade que faz transbordar o copo de ilusões que guardamos em cima de nossas mesas, nos fazendo perceber que a vida nem sempre é certa ou justa, mas é a única oportunidade que nós temos de ser feliz.

Leitura mais do que recomendada.