A Hospedeira, Stephenie Meyer

E se a Terra fosse invadida por seres extraterrestres que ao invés de detruição em massa e horror trouxessem paz, ordem e igualdade? Mas a humanidade não veria essa mudança, pois o preço a ser pago por essa bondade vinda dos céus, seria perder sua consciência e suas lembranças, nossos corpos seriam meras cascas habitadas por cada um desses novos seres, cada uma dessas “almas”.

Você lutaria conta essa ameaça quase silenciosa? Você resistiria?

Estreou ontem nos cinemas o filme A Hospedeira, baseado no livro de Stephenie Meyer, a famosa autora da saga Crepúsculo.

AHospedeiraDessa vez ao invés de explorar o nicho vampírico, Meyer cria todo um novo cenário, onde a Terra foi invadida por alienígenas um tanto diferentes dos que costumamos assistir e ler por aí.

A personagem principal é uma jovem que consegue ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo, onde será que já vimos isso? Melanie Stryder fazia parte da pequena resistência humana, até ser capturada pelos buscadores e possuída (!?) por uma alma antiga, batizada de Peregrina.

Apesar de Peregrina ser uma alma forte e experiente, os pensamentos e lembranças de Mel começam a chegar à superficie de sua consciência, até o ponto em que as duas passam a se comunicar mentalmente. Mel e Peg vão juntas, mas nem sempre concordando em seus pensamentos, em busca do esconderijo da resistência, onde estão os entes queridos de Mel, ao mesmo tempo em que são caçadas pelas autoridades alienígenas.

Com triângulos amorosos e conflitos adolecentes para todos os gostos, A Hospedeira com certeza conquistou os fãs quase órfãos de Meyer.

Minha opinião pessoal, é que é uma história cativante e original, que no final ficou devendo muito, pois poderia ter sido FODA, mas arregou, assim como o final de Crepúsculo (sim, eu li Crespúsculo, e assisti todos os filmes, pode para de rir agora), o que poderia ter sido épico, ficou xôxo.

Os atores escolhidos não se parecem com o que havia imaginado durante a leitura, a maioria é bem mais jovem, mas acredito que seja pelo público alvo, Diane Kruger está linda de vilã, e Saoirse Ronan(Hanna e Um Olhar do Paraíso), parece se encaixar muito bem como Mel.

Abaixo você confere o trailer:

 

Série – Os Instrumentos Mortais, Cassandra Clare

Apesar de Cassandra Clare ter começado sua carreira como escritora em 2005, a primeira vez que ouvi falar nessa talentosa autora foi há dois anos, quando ganhei o primeiro livro da série, Cidade dos Ossos.

instrumentos mortais

“Conto apenas as horas que brilham.”

A primeira vista, causado pela brilhante capa (sério, ela brilha!), achei que o livro poderia ser mais um daqueles que contém triângulos e quadrados amorosos, como em histórias que encontramos por toda parte. Porém, Os Instrumentos Mortais conseguiu mostrar que tinha muito mais a oferecer à minha imaginação fértil do que um simples romance adolescente. E, com isso, mergulhei na encantadora narração de Cassandra Clare.

Cidades dos Ossos começa narrando a ida de Clary Fray, personagem principal, a uma boate chamada Pandemônio. O que era pra ser uma noite tranquila, acaba se tornando num problema enorme para Clary quando ela, e somente ela, vê um garoto de cabelos azuis sendo assassinado por Jace e os irmãos Lightwood, todos os três altos, lindos e com marcas espalhadas pelo corpo, como tatuagens.

A partir deste momento, sonhos de uma vida monótona e segura ao lado de sua mãe e de seu melhor amigo Simon começam a se esvair de Clary quando ela descobre que o mundo em que vive também é habitado por seres do Submundo, como monstros, feiticeiros, licantropes e vampiros, e por Nephilim, filhos de anjos com humanos chamados também de Caçadores de Sombras, responsáveis por matar demônios.

Com milhares de acontecimentos relacionados ao roubo dos poderosos Instrumentos Mortais e aos Caçadores de Sombras, Clary tem que se juntar a esse mundo, com todas as armas que desconhece, para salvar Alicante, o lar de todos os Nephilim, e Nova York, a cidade em que viveu até seus 15 anos, de um homem com planos perversos, com quem descobre ter parentesco.

A série Os Instrumentos Mortais é composta por seis livros. Até agora li somente os três primeiros, Cidade das Cinzas e Cidade de Vidro são mais dois livros eletrizantes que trazem revelações, traições e mudanças, tanto na vida de Clary quanto na vida dos que a rodeia.

Os outros são: Cidade dos Anjos Caídos, lançado em 2012, Cidade das Almas Perdidas, com previsão de lançamento em maio de 2013, e o nome do sexto, Cidade do Fogo Celeste foi divulgado recentemente, mas só deve dar as caras em 2014.

A série é um ótimo refúgio pra quem gosta de magia e mundos paralelos. Super recomendo!

Damaris Ferreira


Recebemos essa dica pelo Facebook essa semana, eu ainda não li, mas tenho boas referências, então pedi pra Damaris (minha irmãzinha!) falar um pouquinho sobre essa série que vai pras telonas ainda este ano. Confira o trailer!

O Canto da Sereia, Nelson Motta

Foi ao ar na última terça-feira na Globo o primeiro capítulo da minisérie O Canto da Sereia, baseado no livro homônimo do paulistano Nelson Motta, que podemos julgar baiano, pela intimidade com que descreve a paisagem e o povo nesse delicioso livro.

ocantodaserieaLi este noir baiano há mais de 3 anos, emprestado de uma amiga querida, e posso não me lembrar de alguns detalhes, mas com certeza passei horas divertidíssimas com o Augustão, o detetive que investiga o misterioso assassinato de Sereia, a nova sensação do axé e musa do carnaval.

Sereia era uma jovem cantora, promovida por profissionais para virar uma grande estrela, mas que carregava uma paixão capaz de arrebatar todos à sua volta, o que pode ter sido sua ruína.

Uma história envolvente, de amor, sexo, dinheiro e até mesmo política, traz muitas surpresas, e o mistério é mantido até o final, impossível prever o culpado, impossível defender qualquer personagem.

Eu provavelmente não assitirei à minissérie(já perdi os primeiros capítulos), Ìsis Valverde tem inegavelmente a beleza natural de Sereia, mas espero que faça jus às peculiaridades da personalidade dela.

E sobre o livro, eu recomendo, é claro!


O Canto da Sereia – Um Noir Baiano
Nelson Motta
Objetiva
Páginas: 260
Ano: 2002

O sentido de um fim, Julian Barnes

“História é aquela certeza fabricada no instante em que as imperfeições da memória se encontram com as falhas de documentação.”

Acho que passei os últimos dois meses encarando essa resenha e pensando em como resumir, indicar ou falar sobre os efeitos que este livro pode causar. O rascunho estava salvo no wordpress desde o dia em que terminei de ler a última palavra da história de Tony Webster. Tudo que escrevi parecia bobeira, mas resolvi terminar logo, lembrando que esse blog não foi feito pra acertar sempre, e que ele é principalmente sobre o impacto que cada livro nos causa, e este foi um bem difícil pra mim.

Um charmoso sessentão, Tony Webster, narra sua história sentado em uma confortável poltrona de couro, bebericando whisky vez ou outra, em sua impecavelmente organizada sala de estar. Pelo menos é assim que imagino. (Essa foi a primeira frase que escrevi naquele dia, viu como é boba?)

Com certa pompa, Tony descreve um pouco de sua juventude com seus amigos de colégio, detalhando alguns acontecimentos irrelevantes e esquecendo fatos que poderiam ser essenciais, como nossa própria memória costuma fazer. Ele constrói o cenário de sua vida de forma que pensemos “que homem bom, que homem comum, que cara chato!”.

Fala sobre ele mesmo e sobre todos nós quando cita as esperanças e sonhos que carregamos na juventude, e como tudo pode mudar em certo ponto, e como encontramos desculpas para nossas não-realizações.

Nós achamos que estávamos sendo maduros quando só estávamos sendo prudentes. Nós imaginamos que estávamos sendo responsáveis, mas estávamos sendo apenas covardes. O que chamamos de realismo era apenas uma forma de evitar as coisas em vez de encará-las.

Já no presente, nosso protagonista recebe uma herança completamente inesperada, o que o faz resgatar acontecimentos que ele fez questão de ocultar, ao forçar a memória e entrar em contato com pessoas do seu passado acaba descobrindo que ele mesmo em certo ponto da vida era uma pessoa muito diferente de quem pensava.

Claro que o procuramos ao ler é realmente o sentido de um fim específico, mas deixando as mínimas revelações para o final, Julian Barnes não dá respostas, as conclusões e perturbações ficam por conta do leitor.

Qualquer spoiler sobre esse livro é tirar todo encanto dele. O que fazemos hoje pode até não nos afetar no futuro, mas pode afetar outros, uma palavra mal dita, pra não dizer maldita, pode martelar eternamente na cabeça de alguém.


O sentido de um fim
Julian Barnes
Rocco
Tradução: Léa Viveiros de Castro
Páginas: 160
Ano: 2012

A Cabana, Willian P. Young

O texto de hoje é para aqueles que acreditam em uma Força Maior. Eu chamo de Deus, mas Amor também é uma boa definição.

Willian P. Young é um canadense de 57 anos, filho de pais missionários que até então escrevia pequenos textos para presentear amigos e parentes. Certa vez, a esposa sugeriu que ele escrevesse algo para seus 6 filhos, falando sobre a relação dele com Deus. Uma coisa levou a outra e ele publicou A Cabana.

O livro é uma obra de ficção que conta a história de Mack, um homem que, por causa de um acontecimento infeliz, é dominado por uma Grande Tristeza e, a partir daí, guiado por um caminho de reconciliação com Deus. Particularmente, achei algumas coisas bem fantasiosas, mas no geral o livro é muito bom e nos faz olhar pra Deus com olhos de profundo amor.

(Jesus diz:) Já notou que, mesmo que me chamem de Senhor e Rei, eu realmente nunca agi desse modo com vocês? Nunca assumi o controle de suas escolhas nem os obriguei a fazer nada, mesmo quando o que estavam fazendo era destrutivo para vocês mesmos e para os outros?

Para Young, é simples assim: o Mal é a ausência de Deus. O livre arbítrio não é só um algo que nos permite dizer: “eu faço o que quiser“. A partir do momento que Deus nos deu essa escolha, Ele nos deixou escolher. Parece redundante, mas não é.

O mais interessante d’A Cabana é a maneira como o autor trabalha a espiritualidade sem entrar no mérito das religiões, mas escrevendo sobre o que é comum e predominante em todas elas: o amor.

Além disso, Young responde de maneira muito simples a dúvida que é recorrente diante de tragédias: Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam com pessoas boas?

Mack, eu crio um bem incrível a partir de tragédias indescritíveis, mas isso não significa que as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos. […] A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.

É uma ótima leitura para essa época do ano. Nos faz pensar sobre a lógica por trás dos acontecimentos da vida e dá carga extra às energias que naturalmente se renovam com a vinda do próximo ano!

Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza, que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temem diante dele. – Eclesiastes 8:12

A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan

O tempo é implacável.

E como não poderia ser diferente, o tempo é o tema central desse surpreendente livro. Um pouco triste, mas justamente por isso verdadeiro, A Visita Cruel do Tempo fala em sua essência sobre como o tempo age em nossos planos e anseios. Como os sonhos da juventude raramente se tornam realidade, e aponta experiências traumáticas que mudam drasticamente os caminhos que seguimos.

É essa a realidade, não é?
Vinte anos depois, a sua beleza já
foi para o lixo, especialmente
quando arrancaram fora metade
das suas entranhas.
O tempo é cruel não é?
Não é assim que se diz?

Ele segue uma linha parecida com os filmes Crash Babel, onde várias histórias são contadas paralelamente, mas estão conectadas às vezes por imperceptíveis fios. (Não me lembro de ter lido nenhum livro nesse estilo, por este motivo não tenho outras referencias.) O livro é dividido por capítulos, cada um revela a história de um novo personagem, em períodos que vão da década de 70 até um futuro próximo.

Mas na minha opinião, a narrativa é a grande estrela dessa história.

Não há padrão, cada um dos capítulos é uma surpresa e você precisa se concentrar um pouquinho(só um pouquinho) para entender a nova dinâmica. Os personagens se cruzam em diferentes épocas, de maneiras sutis ou decisivas, o que nos permite ter uma visão ainda mais ampla da passagem do tempo.

Dois capítulos em especial me chamaram atenção, um deles narrado em segunda pessoa, contado por um jovem com distúrbios psiquiátricos, a sensação é muito estranha, me senti na pele do personagem, olhando por seus olhos em vários momentos.

“Você ouviu dizer em algum lugar que o fato de sorrir deixa as pessoas mais felizes. Pôr o braço em volta de Sasha faz você querer protegê-la.”

O outro é contado por uma garotinha de 12 anos, em uma apresentação de slides, essa é a forma que Alison Blake usa para se expressar. Nunca pensei que uma fosse possível contar uma história de forma tão pura e simplificada e mesmo assim emocionar o leitor.

Apesar de tudo, não é um livro de lamentações, a vida é uma série de possibilidades, o tempo bate à porta inegavelmente, mas a felicidade pode bater também.


A Visita Cruel do Tempo
Jennifer Egan
Editora Intrínseca
Tradução: Fernanda Abreu
Ano: 2011
Páginas: 335

Coisas Frágeis, Neil Gaiman

Não conhecia Neil Gaiman e foi a Denise que me incentivou a ler. Comecei por Coisas Frágeis 1 (porque, obviamente, tem o 2), um livro de contos lançado em 2006, quando o autor participou da Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Particularmente, não gosto muito de contos (e a ironia da vida é gostar de escrevê-los), pois tenho dificuldade para me concentrar e terminar o livro. Por isso, encaxei a leitura dos textos nas minhas idas e voltas de metrô para o trabalho, o que tornou o processo mais lento, mas efetivo.

Um ponto interessante do livro é a explicação que Gaiman dá antes dos contos, contando a história da história. O livro engloba um universo onírico onde Sherlock Holmes, Matrix, Nárnia, Punk Rock, Ficção Científica, entre muitos outros elementos, encontram-se para te dar uma experiência nova.

Neil Gaiman é mundialmente conhecido por Sandman (1989). Em 1998, o autor publicou Stardust, que ganhou versão nas telonas quase 10 anos depois. Outra participação de sucesso foi a co-produção do roteiro de Beowulf, ao lado de Roger Avary.

Os meus contos favoritos do livro são Estudo em Esmeralda (uma versão alternativa ao universo criado por Sir Arthur Conan Doyle) e O Pássaro-do-Sol (envolvente e encantador; inspiração para aqueles que amam uma história bem escrita).

Fica a dica para leitura e o convite para compartilhar o seu conto preferido!
Serviço
Título: Coisas Frágeis
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Tradutor: Michele de Aguiar Vartuli
Número de páginas: 204 páginas