Série – Os Instrumentos Mortais, Cassandra Clare

Apesar de Cassandra Clare ter começado sua carreira como escritora em 2005, a primeira vez que ouvi falar nessa talentosa autora foi há dois anos, quando ganhei o primeiro livro da série, Cidade dos Ossos.

instrumentos mortais

“Conto apenas as horas que brilham.”

A primeira vista, causado pela brilhante capa (sério, ela brilha!), achei que o livro poderia ser mais um daqueles que contém triângulos e quadrados amorosos, como em histórias que encontramos por toda parte. Porém, Os Instrumentos Mortais conseguiu mostrar que tinha muito mais a oferecer à minha imaginação fértil do que um simples romance adolescente. E, com isso, mergulhei na encantadora narração de Cassandra Clare.

Cidades dos Ossos começa narrando a ida de Clary Fray, personagem principal, a uma boate chamada Pandemônio. O que era pra ser uma noite tranquila, acaba se tornando num problema enorme para Clary quando ela, e somente ela, vê um garoto de cabelos azuis sendo assassinado por Jace e os irmãos Lightwood, todos os três altos, lindos e com marcas espalhadas pelo corpo, como tatuagens.

A partir deste momento, sonhos de uma vida monótona e segura ao lado de sua mãe e de seu melhor amigo Simon começam a se esvair de Clary quando ela descobre que o mundo em que vive também é habitado por seres do Submundo, como monstros, feiticeiros, licantropes e vampiros, e por Nephilim, filhos de anjos com humanos chamados também de Caçadores de Sombras, responsáveis por matar demônios.

Com milhares de acontecimentos relacionados ao roubo dos poderosos Instrumentos Mortais e aos Caçadores de Sombras, Clary tem que se juntar a esse mundo, com todas as armas que desconhece, para salvar Alicante, o lar de todos os Nephilim, e Nova York, a cidade em que viveu até seus 15 anos, de um homem com planos perversos, com quem descobre ter parentesco.

A série Os Instrumentos Mortais é composta por seis livros. Até agora li somente os três primeiros, Cidade das Cinzas e Cidade de Vidro são mais dois livros eletrizantes que trazem revelações, traições e mudanças, tanto na vida de Clary quanto na vida dos que a rodeia.

Os outros são: Cidade dos Anjos Caídos, lançado em 2012, Cidade das Almas Perdidas, com previsão de lançamento em maio de 2013, e o nome do sexto, Cidade do Fogo Celeste foi divulgado recentemente, mas só deve dar as caras em 2014.

A série é um ótimo refúgio pra quem gosta de magia e mundos paralelos. Super recomendo!

Damaris Ferreira


Recebemos essa dica pelo Facebook essa semana, eu ainda não li, mas tenho boas referências, então pedi pra Damaris (minha irmãzinha!) falar um pouquinho sobre essa série que vai pras telonas ainda este ano. Confira o trailer!

Deuses Americanos, Neil Gaiman

Eu não sabia o que esperar deste livro, estava na minha lista há muito tempo por causa do autor, mas eu não tinha a mais remota idéia do que se tratava. Eu só esperava muito.

Shadow é o nosso herói, e no sentido mais literal possível. Um homem simples, grandalhão, muitas vezes estúpido e algumas vezes surpreendentemente sábio. É um ex-presidiário, contratado por Wednesday como guarda-costas após um episódio trágico em sua vida, que lhe fez perder o chão e a vontade de viver. Wednesday por sua vez é uma figura obscura, especialista em trapaças e mentiras, que sai pelos Estados Unidos realizando visitas, e encontrando uma lista de figuras conhecidas por nós, como por exemplo um Leprechaun irlandês (que simpatizei imediatamente). Enquanto é arrastado nessa viagem, Shadow mais faz apanhar e se meter em encrencas do que proteger Wednesday como devia.

No meio de um pré-guerra entre os novos e velhos deuses, Shadow, que ainda se considera um cara comum, vai seguindo o fluxo sem entender muito bem pra onde vai, acredito que de uma forma bem próxima ao leitor, que tenta, mas não consegue adivinhar os possíveis rumos.

Nos dois lados dessa guerra estão os deuses da antiguidade, que foram de alguma forma trazidos para a América, dentro de alguma oração ou crença fervorosa, de algum lugar onde eram adorados e a eles dedicados os maiores esforços e melhores sacrifícios. E os novos deuses, que conhecemos muito bem (pode parecer piada, e provavelmente é), como a televisão, internet, eletrônica, etc… Que são adorados hoje, e a quem dedicamos nosso bem mais precioso, o tempo.

Gaiman escreve de forma leve e clara, e no início de cada capítulo há um trecho de música, poema, citação ou ditado popular que se conecta diretamente com o texto que vem a seguir. Muitas vezes li e reli essa parte pra depois conferir a relação com o capítulo.

É um livro para reflexão em vários níveis, nem me atrevo a sugerir que você leia se baseando no que acabei de escrever. Leia pela criatividade do Gaiman, para valorizar todo o estudo e pesquisa que ele realizou para criar essa obra cheia de referencias fantásticas.

Antes de ler Deuses Americanos, eu sugiro que você leia Coisas Frágeis (que a Amanda vai fazer a resenha!), um livro de contos do autor que cativa e encanta, e não tem os pequenos pecados permitidos nas longas narrativas.

Licença para um pequeno desabafo: Todas as vezes que li Neil Gaiman, me maravilhei no início, e depois da metade do livro eu tenho a impressão de que ele esfria. Parece que ele cansou da história e quer dar logo um fim. É uma pena, por que gosto muito do estilo, e admiro toda a sua inventividade. Em uma parte de Deuses Americanos, quando Shadow está refugiado em uma cidadezinha, é possível imaginar o próprio Gaiman, sentado em uma cabana, tentando descobrir o que fazer com o que já escreveu, indeciso entre queimar e terminar.

Em tempo: Obrigada a quem ajudou a escolher o livro na enquete. Memórias de Uma Gueixa foi o vencedor, já estou lendo e adorando! Resenha em breve.

Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas, de Raphael Draccon

Por Denise Ferreira

Tenho que confessar que comprei a trilogia por dois motivos.

1. Estava em promoção.
2. Achei a capa linda.

Ok, agora eu tenho que me explicar um pouco já que é minha primeira resenha.
Eu sou uma viciada em comprar livros e não agüento uma promoção, já fico logo imaginando como vai ficar na estante, e que agora eu posso ter muitos livros na lista, mas um dia eu posso estar na “seca”, e vai ser útil ter um pequeno estoque.
E sim, eu compro livro pela capa também. Já me ferrei por isso? Com toda certeza! Mas já me surpreendi também, e encontrei tesouros que valiam bem mais do que a capa elaborada.

Mas é claro que já havia visto os livros do Draccon antes e pensado: “Olha que livro lindo, mas livro sobre dragão, deixa pra uma próxima…”. Um pequeno pré-conceito totalmente perdoável, rs.

E foi com o sentimento de “vamos ver no que vai dar” que eu comecei a ler Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas.

E foi com a primeira frase do capítulo 01 que ele ganhou meu coração, e eu mergulhei no livro. Por que eu simplesmente amo Contos de Fadas, e todas as suas adaptações, e todas as suas transgressões e todas as suas referências. Eu adoro a forma como é possível moldá-los e transformá-los em histórias para adultos, e histórias macabras, e também imaginar como surgiram e todas as modificações e censuras que sofreram até chegar no modelo Disney que a maioria de nós conhecemos hoje.

A livro tem como pontos principais a jovem Ariane Narin, personagem conhecida por todos nós como Chapeuzinho Vermelho, e os irmãos João e Maria Hanson, que você já deve ter percebido quem são. Eles se veem no meio de uma aventura quando a cidade de Andreanne é misteriosamente atacada por piratas(e dos famosos!), e de simples plebeus passam a ajudar nobres e até mesmo o Rei a entender e solucionar a situação.

É a história depois do FIM. O que acontece com uma menina quase devorada por um lobo? Por que ela estava sozinha na floresta? E por diabos a vovó foi morar no meio do nada?

Não me dá vontade de contar muita coisa sobre a história, pra mim as melhores partes foram as descobertas, aquele centésimo de segundo quem que você associa o personagem que acabou de aparecer ao velho conhecido de infância. Ver que a Branca Coração-de-Neve, é muito mais que uma princesa indefesa, que o sapo precisa ser de um pouco mais do que um beijo, e que os Sete Anões podem ser bravos Mestres guerreiros.

É um prato cheio para os fãs de fantasia, cheio de figuras clássicas, e para minha felicidade, nenhum dragão(!).
É delicioso de ler, divertido, mas não é bobinho, não tem final feliz pra sempre, e com certeza te faz pensar em como a maldade brota nos corações das pessoas pelos mais diversos motivos, e se instala lá por que muitas vezes ninguém consegue tirar a tempo.

A forma de escrever do Draccon também me encantou, principalmente por sua simplicidade e despretenciosidade. O narrador está sempre presente, de uma forma leve e agradável, como um amigo contando um “causo” no bar, um bardo dos tempos modernos como já avisa o editor logo no prefácio.
Mais ou menos na metade do livro ele me fez lembrar do querido Terry Pratchett, ele te conduz pela história, te faz esquecer como você chegou até ali, a coisa vai fluindo e de repente, faz uma piada e te pega na curva desprevenido, te faz parar e “Opa! Tem mais alguma coisa ali! O que foi que eu perdi?”.

As referencias da cultura pop são maravilhosas também. O príncipe Axel, a estrela Cobain(que se apaga sem explicação no auge do brilho) e até um troll chamado Moonwarkson.

Draccon criou um mundo de uma forma natural e leve, sem impor regras, sem querer dar todas as explicações, sem forçar o leitor a decorar nada. Em Nova Ether tudo pode acontecer, o passado e o presente não tem muita importância, e nem precisa de uma lógica de evolução. É simplesmente mágico!