Fábulas, Monteiro Lobato

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Fábulas não são lições de História Natural, mas de moral – explica dona Benta para as curiosas crianças que questionam o fato dos bichinhos falarem nas histórias. A partir daí, a vovó mais famosa do Brasil nos encanta com contos onde animais e elementos da natureza se unem para nos trazer valiosas lições sobre a vida e situações cotidianas.

imagesNo dia em que comemora-se o aniversário de Monteiro Lobato – um dos maiores escritores brasileiros e precursor da literatura infantil no país – o livro Fábulas ganha espaço aqui no blog. Uma obra com sonoridade e ritmo que pode ser lida por crianças e adultos e provocar diferentes reflexões e aprendizados.

Muitas das fábulas são, nas palavras de dona Benta, dolorosas, e faz adultos questionarem se aquilo é realmente literatura infantil. Mas a lição por trás das palavras nos faz entender que a vida não é um favo de mel e que devemos aprender com os acontecimentos para seguir em frente.

A didática vovó também dá voz às críticas de Monteiro Lobato quando diz que a gramática é criada da língua e não dona, e como tal, serve os propósitos da narrativa. Além disso, dona Benta explica às crianças a diferença entre literatura com e sem aspas. A primeira se mostra como um pavão, enfeitada, mas muitas vezes desnecessária. Quando as aspas caem, no entanto, nasce o texto puro, apenas com o essencial para transmitir sua mensagem.

Com pérolas como “Ajuda-te, que o céu te ajudará” e “Contra esperteza, esperteza e meia”, o livro nos prepara e carrega cada vez mais para dentro do universo fantástico do Sítio do Pica Pau Amarelo.

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O Fim dos Livros, Octave Uzanne

“Em um futuro pós apocalíptico, onde todos os livros foram destruídos pelo cruel ditador…”

Ok, não tão trágico assim, na verdade não chega nem perto. Este pequenino livro de apenas 88 páginas da Editora Octavo, estava jogado na banca dos rejeitados na Fnac, e como sempre encontro uma preciosidades por lá, o trouxe para casa.

O fim dos livros

Publicado por aqui em 2010, mas o original é um pouco mais antigo, de 1894. Uzanne descreve em um texto bem-humorado as previsões sobre o futuro da humanidade feitas por um grupo de pensadores da época, sob o efeito de um pouco de álcool e sabe-se lá mais o quê os clubes privativos ofereciam há mais de 100 anos.

Sonhos que nos tornaríamos seres apreciadores de arte, que a natureza fosse totalmente restaurada, e que a fome seria extinguida do planeta, foram algumas das idéias apresentadas naquela noite. E claro, o bibliógrafo presente foi indagado sobre o futuro dos livros.

Nós leitores sabemos bem as acrobacias que fazemos em busca de uma posição confortável para acomodar nossos livros, e as péssimas condições de iluminação que nos sujeitamos para continuar lendo. Dores nas costas e problemas de visão foram alguns dos motivos de o personagem profetizar o fim dos livros.

Mas a alternativa que ele encontrou eu não posso contar, é um livrinho tão rápido, que se eu me estender mais, todas as surpresas acabam.

Muito bom estar de volta.

Bom fim de semana!

Coisas Frágeis, Neil Gaiman

Não conhecia Neil Gaiman e foi a Denise que me incentivou a ler. Comecei por Coisas Frágeis 1 (porque, obviamente, tem o 2), um livro de contos lançado em 2006, quando o autor participou da Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Particularmente, não gosto muito de contos (e a ironia da vida é gostar de escrevê-los), pois tenho dificuldade para me concentrar e terminar o livro. Por isso, encaxei a leitura dos textos nas minhas idas e voltas de metrô para o trabalho, o que tornou o processo mais lento, mas efetivo.

Um ponto interessante do livro é a explicação que Gaiman dá antes dos contos, contando a história da história. O livro engloba um universo onírico onde Sherlock Holmes, Matrix, Nárnia, Punk Rock, Ficção Científica, entre muitos outros elementos, encontram-se para te dar uma experiência nova.

Neil Gaiman é mundialmente conhecido por Sandman (1989). Em 1998, o autor publicou Stardust, que ganhou versão nas telonas quase 10 anos depois. Outra participação de sucesso foi a co-produção do roteiro de Beowulf, ao lado de Roger Avary.

Os meus contos favoritos do livro são Estudo em Esmeralda (uma versão alternativa ao universo criado por Sir Arthur Conan Doyle) e O Pássaro-do-Sol (envolvente e encantador; inspiração para aqueles que amam uma história bem escrita).

Fica a dica para leitura e o convite para compartilhar o seu conto preferido!
Serviço
Título: Coisas Frágeis
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Tradutor: Michele de Aguiar Vartuli
Número de páginas: 204 páginas