A Hospedeira, Stephenie Meyer

E se a Terra fosse invadida por seres extraterrestres que ao invés de detruição em massa e horror trouxessem paz, ordem e igualdade? Mas a humanidade não veria essa mudança, pois o preço a ser pago por essa bondade vinda dos céus, seria perder sua consciência e suas lembranças, nossos corpos seriam meras cascas habitadas por cada um desses novos seres, cada uma dessas “almas”.

Você lutaria conta essa ameaça quase silenciosa? Você resistiria?

Estreou ontem nos cinemas o filme A Hospedeira, baseado no livro de Stephenie Meyer, a famosa autora da saga Crepúsculo.

AHospedeiraDessa vez ao invés de explorar o nicho vampírico, Meyer cria todo um novo cenário, onde a Terra foi invadida por alienígenas um tanto diferentes dos que costumamos assistir e ler por aí.

A personagem principal é uma jovem que consegue ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo, onde será que já vimos isso? Melanie Stryder fazia parte da pequena resistência humana, até ser capturada pelos buscadores e possuída (!?) por uma alma antiga, batizada de Peregrina.

Apesar de Peregrina ser uma alma forte e experiente, os pensamentos e lembranças de Mel começam a chegar à superficie de sua consciência, até o ponto em que as duas passam a se comunicar mentalmente. Mel e Peg vão juntas, mas nem sempre concordando em seus pensamentos, em busca do esconderijo da resistência, onde estão os entes queridos de Mel, ao mesmo tempo em que são caçadas pelas autoridades alienígenas.

Com triângulos amorosos e conflitos adolecentes para todos os gostos, A Hospedeira com certeza conquistou os fãs quase órfãos de Meyer.

Minha opinião pessoal, é que é uma história cativante e original, que no final ficou devendo muito, pois poderia ter sido FODA, mas arregou, assim como o final de Crepúsculo (sim, eu li Crespúsculo, e assisti todos os filmes, pode para de rir agora), o que poderia ter sido épico, ficou xôxo.

Os atores escolhidos não se parecem com o que havia imaginado durante a leitura, a maioria é bem mais jovem, mas acredito que seja pelo público alvo, Diane Kruger está linda de vilã, e Saoirse Ronan(Hanna e Um Olhar do Paraíso), parece se encaixar muito bem como Mel.

Abaixo você confere o trailer:

 

O Segredo de Jasper Jones, Craig Silvey

O ano é 1965 e o cenário é Corrigan, uma pequena cidade australiana. É aí que encontramos o jovem Charles Bucktin e é aí que ele encontra Jasper Jones e o seu segredo.

Charles é um leitor voraz e aspirante a escritor. Quando Jasper Jones bate à sua janela no meio da noite pedindo sua ajuda, ele o segue, com medo e curiosidade, e acaba descobrindo algo terrível.

Com 13 anos, é difícil guardar um segredo, ainda mais quando não se pode contar nada para Jeffrey Lu, seu melhor amigo, ou Eliza Wishart, que tem o melhor cheiro do mundo. Em meio a tudo isso, Charles ainda precisa lidar com seus pais e o estranho relacionamento entre eles que, devo dizer, tem um final surpreendente.

O Segredo de Jasper Jones é uma narrativa sobre a perda da inocência, sobre a hipocrisia, sobre o arrependimento, sobre a amizade, sobre o amor. É um livro de descobertas e reflexões, para Charles e para quem o lê.

É um romance leve, do tipo que você pode ler enquanto anda pela rua, pois não exige muita concentração. Isso não quer dizer que seja uma história ruim, quer dizer que Craig Silvey escreve como se o jovem Charles estivesse ao seu lado, contando tudo o que aconteceu. Fica a dica para este fim de férias.


O Segredo de Jasper Jones
Craig Silvey
Editora Intrínseca
Tradução: Domingos Demasi
Ano: 2012
Páginas: 288

Deuses Americanos, Neil Gaiman

Eu não sabia o que esperar deste livro, estava na minha lista há muito tempo por causa do autor, mas eu não tinha a mais remota idéia do que se tratava. Eu só esperava muito.

Shadow é o nosso herói, e no sentido mais literal possível. Um homem simples, grandalhão, muitas vezes estúpido e algumas vezes surpreendentemente sábio. É um ex-presidiário, contratado por Wednesday como guarda-costas após um episódio trágico em sua vida, que lhe fez perder o chão e a vontade de viver. Wednesday por sua vez é uma figura obscura, especialista em trapaças e mentiras, que sai pelos Estados Unidos realizando visitas, e encontrando uma lista de figuras conhecidas por nós, como por exemplo um Leprechaun irlandês (que simpatizei imediatamente). Enquanto é arrastado nessa viagem, Shadow mais faz apanhar e se meter em encrencas do que proteger Wednesday como devia.

No meio de um pré-guerra entre os novos e velhos deuses, Shadow, que ainda se considera um cara comum, vai seguindo o fluxo sem entender muito bem pra onde vai, acredito que de uma forma bem próxima ao leitor, que tenta, mas não consegue adivinhar os possíveis rumos.

Nos dois lados dessa guerra estão os deuses da antiguidade, que foram de alguma forma trazidos para a América, dentro de alguma oração ou crença fervorosa, de algum lugar onde eram adorados e a eles dedicados os maiores esforços e melhores sacrifícios. E os novos deuses, que conhecemos muito bem (pode parecer piada, e provavelmente é), como a televisão, internet, eletrônica, etc… Que são adorados hoje, e a quem dedicamos nosso bem mais precioso, o tempo.

Gaiman escreve de forma leve e clara, e no início de cada capítulo há um trecho de música, poema, citação ou ditado popular que se conecta diretamente com o texto que vem a seguir. Muitas vezes li e reli essa parte pra depois conferir a relação com o capítulo.

É um livro para reflexão em vários níveis, nem me atrevo a sugerir que você leia se baseando no que acabei de escrever. Leia pela criatividade do Gaiman, para valorizar todo o estudo e pesquisa que ele realizou para criar essa obra cheia de referencias fantásticas.

Antes de ler Deuses Americanos, eu sugiro que você leia Coisas Frágeis (que a Amanda vai fazer a resenha!), um livro de contos do autor que cativa e encanta, e não tem os pequenos pecados permitidos nas longas narrativas.

Licença para um pequeno desabafo: Todas as vezes que li Neil Gaiman, me maravilhei no início, e depois da metade do livro eu tenho a impressão de que ele esfria. Parece que ele cansou da história e quer dar logo um fim. É uma pena, por que gosto muito do estilo, e admiro toda a sua inventividade. Em uma parte de Deuses Americanos, quando Shadow está refugiado em uma cidadezinha, é possível imaginar o próprio Gaiman, sentado em uma cabana, tentando descobrir o que fazer com o que já escreveu, indeciso entre queimar e terminar.

Em tempo: Obrigada a quem ajudou a escolher o livro na enquete. Memórias de Uma Gueixa foi o vencedor, já estou lendo e adorando! Resenha em breve.

Marina, Carlos Ruiz Zafón

Quando terminei de ler A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, fiquei encantada com a narrativa e a história engenhosa construída pelo autor. Querendo mais, comprei Marina.

Para Zafón, Marina é “possivelmente o mais indefinível e difícil de categorizar de todos os romances que escrevi, e talvez o mais pessoal de todos eles”. E ele tem toda a razão. O livro foi de encontro a tudo que eu esperava. É completamente diferente do que eu imaginava e, como o próprio autor disse, difícil de categorizar.

“As vezes as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela – A gente só se lembra do que nunca aconteceu.”

Marina (1999) segue uma fórmula de sucesso, replicada em A Sombrado Vento (2001): duas histórias que se cruzam e são descobertas através dos olhos de um dos personagens que, neste caso, é Óscar Drai, um rapaz de 15 anos que estuda em um internato.

Em seu tempo livre, Óscar explora as ruas de Barcelona e é durante um de seus passeios que ele conhece a encantadora menina que dá nome ao livro. Ao lado de Marina, Óscar embarca em uma aventura um tanto quanto improvável e cheia de mistérios.

Com apenas 198 páginas, o livro tem uma narrativa leve que, embora tenha elementos literários dignos de atenção, esbarra em pequenos clichês. Além disso, a história que se estende por diversos capítulos tem seu desfecho revelado em 5 páginas ou menos.

Por fim, a pergunta que surge na cabeça de muitos leitores: a história aconteceu de verdade? Não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa. Mas fica o convite para quem já leu compartilhar o que achou.

“Às vezes duvido de minha memória e me pergunto se serei capaz de recordar o que nunca aconteceu. Marina, você levou todas as respostas consigo.” – Óscar Drai

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, é uma história de amor. Na verdade, é a história de muitos amores. Amores puros, eternos, carnais, desconhecidos, vingativos, leais.

1945, Barcelona. O dia ainda se escondia no horizonte quando Sempere decidiu que seu filho, Daniel, estava grande o suficiente para conhecer o seu segredo: o Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca no coração da cidade que guarda obras fantásticas, mas esquecidas, à espera de que alguém as descubra.

No Cemitério, cada novo visitante pode escolher um exemplar para cuidar e proteger. Daniel se deixa escolher por A Sombra do Vento, do barcelonês Julián Carax. O livro o conquista e fascina de maneira inesperada e desperta em Daniel a vontade de saber mais sobre o autor e sua obra. É então que o rapaz descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que Carax já escreveu.

A partir daí, a história se desenvolve em uma trama de mistério, aventura, paixão e perigo, que faz o leitor correr as páginas em busca do desfecho final. Descobrimos um Julián Carax apaixonante apaixonado, por histórias e por Penélope. E um Daniel destemido e determinado, que passa para o leitor a curiosidade e a afeição que tem pel’A Sombra do Vento (leitor este que acaba frustrado por não poder ler A Sombra do Vento do próprio Carax).

O livro nos faz perceber o poder de uma boa história. Nos faz lembrar dos livros que já lemos e como eles capturaram pequenos fragmentos de nossas vidas e os transformaram em nostalgia.

O livro nos faz sentir assim:

“Um segredo vale o quanto valem aqueles dos quais temos que guardá-lo.” – Daniel Sempere (A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón)

Em Chamas e A Esperança, Suzanne Collins

Esta resenha 2 em 1 pode e vai conter Spoilers.

Peguei Em Chamas com os dois pés atrás depois de ler Jogos Vorazes, a história prometia muito, mas fiquei com medo que fosse mais uma série sobre um triângulo amoroso que finge que vai pra algum lugar mas nunca chega lá. Mas pra minha alegria, chega! E chega de forma épica!

Me perdoem, mas não deu pra tirar outra foto.

O livro começa com uma choradeira da Katniss, depois de descobrir que sua vida não pertence mais a ela mesma e que terá que assumir as consequências das atitudes tomadas publicamente para que conseguisse sair dos Jogos com vida. Durante a turnê da vitória, nossa heroína começa a perceber uma movimentação organizada entre os Distritos e a ser diretamente pressionada pelo presidente, que não está nem um pouco feliz com essa situação.
Mas o drama acaba (ou começa pra valer), quando no anúncio do Massacre Quaternário – uma edição especial dos Jogos Vorazes que acontece a cada 25 anos, e muito mais brutal –  Katniss vê seu pior pesadelo se tornar realidade, ela será obrigada a voltar para a arena.

24 vitoriosos lançados em uma arena planejada para destruir a todos em pouquíssimo tempo. Tic Tac. As personalidades dos vitoriosos são expostas, e dão uma ideia de como experiências traumáticas mudam para sempre as pessoas. Alguns já não tem o que temer pois lhes foi tirado tudo, pouco a pouco para que continuassem submissos.

O final dessa edição dá início a guerra, inicia-se o confronto direto entre Distritos e Capital.

Em A Esperança Katniss se torna o símbolo da rebelião dos Distritos, agora ela é o Tordo, e é manipulada desta vez pelo lado que acredita ser amigo. O último livro da trilogia traz o conflito interior entre as responsabilidades de ser este símbolo e suas próprias vontades, e suas culpas. Ela quer lutar e se vingar por tudo que a ditadura da Capital impôs em sua vida, e não importa o que possa acontecer, nada fica por muito tempo no caminho de seu objetivo.

Muito sangue, ossos quebrados, membros amputados, tortura física e  psicológica. Muito sacrifício em prol do bem maior, muitas baixas de civis. É uma guerra como qualquer outra, mas contada pelas amargas lembranças de uma menina que absorveu o impacto de algo muito maior do que planejava e podia aguentar.

O triângulo amoroso volta a aparecer, claro! Mas oprimido pela violência da guerra. E prova que o amor espera, muda de forma, mas não morre.

E chega!

Não respirei enquanto lia Em Chamas, e li A Esperança num tiro só. Emocionante. Muita ação e muitos efeitos especiais (pelo menos na minha cabeça, rs). Se for fielmente produzido a Lionsgate fará fortuna!

A trilogia é uma história jovem para todas as idades.

Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Gosto de intercalar minhas leituras, procuro ler gêneros diferentes, para que a última história não interfira na atual. Então, quando terminei Caçadores de Bruxas tomei um banho de realidade com Um Dia (já resenhado pela Amanda), com o David Nicholls esfregando muitas coisas na minha cara.

Depois parti para mais uma ficção! Assisti o trailer do filme na internet, achei interessante, e já que tem livro vamos ler antes que ele seja (possivelmente) distorcido no cinema.

Jogos Vorazes nos mostra Panem, um país dividido em 13 Distritos e uma Capital, construído sobre uma América do Norte destruída por guerras e desastres naturais. Depois de uma  rebelião dos Distritos contra a Capital, o 13º Distrito foi erradicado e como um lembrete para os restantes, para que não houvessem novas tentativas foram criados os Jogos Vorazes. Todos os anos, um menino e uma menina entre 12 e 18 anos de cada Distrito são sorteados e enviados para a Capital para participar dos jogos.

Jogos Vorazes é um reallity show macabro, transmitido ao vivo via Pay Per View para toda Panem, onde cada um dos participantes deve enfrentar seus concorrentes até que sobre somente um vivo na arena.

A história é narrada por Katniss Everdeen, uma participante da 74ª edição dos Jogos e moradora da área mais pobre do Distrito 12. Como a maioria das narrações em primeira pessoa, muitas vezes não é possível ter a real dimensão do que está acontecendo na trama, enquanto muitas cenas se misturam com os sentimentos da personagem central, mas é fato, você vira fã da Katniss logo no início, mesmo que ela não consiga te explicar muito bem quem é e onde está. Mas isso de forma alguma é uma coisa ruim, te dá liberdade para tirar algumas conclusões e ter certas expectativas sobre o que está por vir.

Apesar de o público alvo ser juvenil, não pense que Suzanne Collins economiza sangue e violência, na arena as alianças duram muito pouco e não existe piedade.

Nossa heroína é uma sobrevivente, uma menina forte, e que sabe lutar com as armas que tem à disposição.

Um pouco de romance, como não pode faltar, que dá uma dica para o segundo livro da série. Mas essa parte é spoiler demais para que me arrisque a contar. A continuação (Em Chamas) já está na minha lista, e indica ser ainda melhor que o primeiro.

Minha opinião pessoal é que Jogos Vorazes não é um livro excepcional, logo nos primeiros capítulos é possível ter uma ideia sobre o fim. Mas a viagem até o final é compensadora, prazerosa e em muitos momentos, surpreendente.