A Cabana, Willian P. Young

O texto de hoje é para aqueles que acreditam em uma Força Maior. Eu chamo de Deus, mas Amor também é uma boa definição.

Willian P. Young é um canadense de 57 anos, filho de pais missionários que até então escrevia pequenos textos para presentear amigos e parentes. Certa vez, a esposa sugeriu que ele escrevesse algo para seus 6 filhos, falando sobre a relação dele com Deus. Uma coisa levou a outra e ele publicou A Cabana.

O livro é uma obra de ficção que conta a história de Mack, um homem que, por causa de um acontecimento infeliz, é dominado por uma Grande Tristeza e, a partir daí, guiado por um caminho de reconciliação com Deus. Particularmente, achei algumas coisas bem fantasiosas, mas no geral o livro é muito bom e nos faz olhar pra Deus com olhos de profundo amor.

(Jesus diz:) Já notou que, mesmo que me chamem de Senhor e Rei, eu realmente nunca agi desse modo com vocês? Nunca assumi o controle de suas escolhas nem os obriguei a fazer nada, mesmo quando o que estavam fazendo era destrutivo para vocês mesmos e para os outros?

Para Young, é simples assim: o Mal é a ausência de Deus. O livre arbítrio não é só um algo que nos permite dizer: “eu faço o que quiser“. A partir do momento que Deus nos deu essa escolha, Ele nos deixou escolher. Parece redundante, mas não é.

O mais interessante d’A Cabana é a maneira como o autor trabalha a espiritualidade sem entrar no mérito das religiões, mas escrevendo sobre o que é comum e predominante em todas elas: o amor.

Além disso, Young responde de maneira muito simples a dúvida que é recorrente diante de tragédias: Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam com pessoas boas?

Mack, eu crio um bem incrível a partir de tragédias indescritíveis, mas isso não significa que as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos. […] A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras.

É uma ótima leitura para essa época do ano. Nos faz pensar sobre a lógica por trás dos acontecimentos da vida e dá carga extra às energias que naturalmente se renovam com a vinda do próximo ano!

Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza, que bem sucede aos que temem a Deus, aos que temem diante dele. – Eclesiastes 8:12

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Dr. House – Um guia para a vida, Tony de la Torre

“I‘m fine. I’m just not happy.”

Como não amar Dr. Gregory House?
Incrível como um cara grosso, cheio de si (e de manias) conquistou e arrebatou milhões de fãs para a série.

Toni de la Torre organizou em 149 páginas as melhores tiradas do médico mais querido da TV, de uma forma a explicar o seu sucesso e incentivar a aplicação de seu modelo de felicidade.

É um livro pra descansar a cabeça, que você lê numa “sentada”, no meu caso foram quatro, duas idas e voltas do trabalho, que eu tive que me segurar para não rir alto e passar vergonha.

Logo no início você pode fazer um teste para descobrir quanto de House há em você, e já começa a diversão quando você identifica as respostas que daria em pensamento, mas só sendo um grandessíssimo filho da puta poderia falar em voz alta.

E o guia segue citando passagens da série onde a forte personalidade do doutor é evidenciada, e destacando como você deve agir para se tornar tão foda quanto ele. O princípio do mau humor constante, como desconfiar de todos (everybody lies), idealizar uma realidade impossível, fechar os sentimentos num local inalcançável, depreciar quem está a sua volta… isso e muito mais da simpatia esbanjada pelo House.

O livro é tão exagerado que tem um tom de psicologia reversa (psicólogos e afins me perdoem se eu estiver falando bobagem), mostra tanto os efeitos de ser uma pessoa tão intratável que poderia simplesmente dizer “Gente, prestenção! O House não é feliz, por favor parem de querer ser como ele!”.

Seja você mesmo, fale mais o que pensa e confie no seu trabalho. Foram lições que pude tirar, mas claro, tudo tem que ser dosado e pensado, afinal viver em sociedade ainda é necessário.

No final um quadro compara House a Sherlock Holmes, outro adorável/odiável da ficção, e também conta com uma seleção musical (que você pode ouvir aqui) perfeita para apreciar e se encher do rancor gracinha desse personagem.