A Hospedeira, Stephenie Meyer

E se a Terra fosse invadida por seres extraterrestres que ao invés de detruição em massa e horror trouxessem paz, ordem e igualdade? Mas a humanidade não veria essa mudança, pois o preço a ser pago por essa bondade vinda dos céus, seria perder sua consciência e suas lembranças, nossos corpos seriam meras cascas habitadas por cada um desses novos seres, cada uma dessas “almas”.

Você lutaria conta essa ameaça quase silenciosa? Você resistiria?

Estreou ontem nos cinemas o filme A Hospedeira, baseado no livro de Stephenie Meyer, a famosa autora da saga Crepúsculo.

AHospedeiraDessa vez ao invés de explorar o nicho vampírico, Meyer cria todo um novo cenário, onde a Terra foi invadida por alienígenas um tanto diferentes dos que costumamos assistir e ler por aí.

A personagem principal é uma jovem que consegue ser tão frágil e tão forte ao mesmo tempo, onde será que já vimos isso? Melanie Stryder fazia parte da pequena resistência humana, até ser capturada pelos buscadores e possuída (!?) por uma alma antiga, batizada de Peregrina.

Apesar de Peregrina ser uma alma forte e experiente, os pensamentos e lembranças de Mel começam a chegar à superficie de sua consciência, até o ponto em que as duas passam a se comunicar mentalmente. Mel e Peg vão juntas, mas nem sempre concordando em seus pensamentos, em busca do esconderijo da resistência, onde estão os entes queridos de Mel, ao mesmo tempo em que são caçadas pelas autoridades alienígenas.

Com triângulos amorosos e conflitos adolecentes para todos os gostos, A Hospedeira com certeza conquistou os fãs quase órfãos de Meyer.

Minha opinião pessoal, é que é uma história cativante e original, que no final ficou devendo muito, pois poderia ter sido FODA, mas arregou, assim como o final de Crepúsculo (sim, eu li Crespúsculo, e assisti todos os filmes, pode para de rir agora), o que poderia ter sido épico, ficou xôxo.

Os atores escolhidos não se parecem com o que havia imaginado durante a leitura, a maioria é bem mais jovem, mas acredito que seja pelo público alvo, Diane Kruger está linda de vilã, e Saoirse Ronan(Hanna e Um Olhar do Paraíso), parece se encaixar muito bem como Mel.

Abaixo você confere o trailer:

 

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Divórcio

– Eu quero o divórcio.

– Você tá falando comigo?

– Não, com a Fátima, minha outra esposa. O que você acha, Helena?

– Mas Carlos, o que mais você quer de mim? Eu faço o seu café, assisto o jornal com você e passo suas camisas.

– Você claramente não tem mais interesse em mim, então eu quero o divórcio.

Desligou a TV e acomodou-se no sofá. Carlos deveria ser o único homem na face da Terra que gostava de discutir o relacionamento.

– Carlos, depois de tanto tempo juntos, como você pode dizer uma coisa dessas?

– Eu vi você olhando pro Roberto na noite passada, quando ele veio jogar baralho aqui em casa.

– Mas é claro que eu estava olhando pro Roberto! Você viu a mancha na camisa dele? Eu não sei como a Lurdes deixa ele sair daquele jeito.

– Ah é? E pro Luiz, hein? Por que você estava olhando para o Luiz?

– E era possível olhar pra outra coisa que não aquele corte de cabelo horroroso? Quem o Luiz pensa que é, o Neymar?

Ele escondeu a risada. Helena era a mulher mais divertida que ele já conhecera, mas não podia ceder ao seu senso de humor naquele momento, eles estavam discutindo o relacionamento.

– Olha, Helena, diga o que quiser, mas eu sei que você não me ama mais.

– Carlos, meu querido, me diz como eu posso provar que você está errado?

– Faz um striptease pra mim!

– Hahaha, você sinceramente acha que eu estou em condições de fazer uma dança sensual?

– Tá vendo? Não me ama!

– Tá bom, se é isso que você quer, espera aqui que eu vou me preparar. E vê se não dorme!

– Eu não durmo se você não demorar – disse com o sorriso de um jovem tarado.

Quando Helena voltou para a sala, a camisola transparente mostrando os contornos do corpo, Carlos sabia que ela o amava, e teve a certeza de que casara com a mulher certa. Ficariam juntos para sempre!

Helena ligou o rádio e começou a dançar, virando de costas para provocá-lo. Subiu na mesa de centro com certa dificuldade – seus joelhos já não eram como antes. Quando virou para ver se Carlos estava gostando, viu o marido estatelado no sofá, a mão no peito e o olhar apavorado. Desceu o mais rápido que pode, ouvindo o corpo estralar. Chamou uma ambulância.

Quando os paramédicos chegaram, não sabiam a quem socorrer primeiro: a senhora com o quadril quebrado ou o velhinho que estava tendo um infarto porque sua esposa de 65 anos estava fazendo uma dança sensual. Sabiam, pelo menos, que havia amor ali.

Foto: Marina Rosso

Foto: Marina Rosso