O Segredo de Jasper Jones, Craig Silvey

O ano é 1965 e o cenário é Corrigan, uma pequena cidade australiana. É aí que encontramos o jovem Charles Bucktin e é aí que ele encontra Jasper Jones e o seu segredo.

Charles é um leitor voraz e aspirante a escritor. Quando Jasper Jones bate à sua janela no meio da noite pedindo sua ajuda, ele o segue, com medo e curiosidade, e acaba descobrindo algo terrível.

Com 13 anos, é difícil guardar um segredo, ainda mais quando não se pode contar nada para Jeffrey Lu, seu melhor amigo, ou Eliza Wishart, que tem o melhor cheiro do mundo. Em meio a tudo isso, Charles ainda precisa lidar com seus pais e o estranho relacionamento entre eles que, devo dizer, tem um final surpreendente.

O Segredo de Jasper Jones é uma narrativa sobre a perda da inocência, sobre a hipocrisia, sobre o arrependimento, sobre a amizade, sobre o amor. É um livro de descobertas e reflexões, para Charles e para quem o lê.

É um romance leve, do tipo que você pode ler enquanto anda pela rua, pois não exige muita concentração. Isso não quer dizer que seja uma história ruim, quer dizer que Craig Silvey escreve como se o jovem Charles estivesse ao seu lado, contando tudo o que aconteceu. Fica a dica para este fim de férias.


O Segredo de Jasper Jones
Craig Silvey
Editora Intrínseca
Tradução: Domingos Demasi
Ano: 2012
Páginas: 288

Coisas Frágeis, Neil Gaiman

Não conhecia Neil Gaiman e foi a Denise que me incentivou a ler. Comecei por Coisas Frágeis 1 (porque, obviamente, tem o 2), um livro de contos lançado em 2006, quando o autor participou da Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Particularmente, não gosto muito de contos (e a ironia da vida é gostar de escrevê-los), pois tenho dificuldade para me concentrar e terminar o livro. Por isso, encaxei a leitura dos textos nas minhas idas e voltas de metrô para o trabalho, o que tornou o processo mais lento, mas efetivo.

Um ponto interessante do livro é a explicação que Gaiman dá antes dos contos, contando a história da história. O livro engloba um universo onírico onde Sherlock Holmes, Matrix, Nárnia, Punk Rock, Ficção Científica, entre muitos outros elementos, encontram-se para te dar uma experiência nova.

Neil Gaiman é mundialmente conhecido por Sandman (1989). Em 1998, o autor publicou Stardust, que ganhou versão nas telonas quase 10 anos depois. Outra participação de sucesso foi a co-produção do roteiro de Beowulf, ao lado de Roger Avary.

Os meus contos favoritos do livro são Estudo em Esmeralda (uma versão alternativa ao universo criado por Sir Arthur Conan Doyle) e O Pássaro-do-Sol (envolvente e encantador; inspiração para aqueles que amam uma história bem escrita).

Fica a dica para leitura e o convite para compartilhar o seu conto preferido!
Serviço
Título: Coisas Frágeis
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Tradutor: Michele de Aguiar Vartuli
Número de páginas: 204 páginas

O dono da sorte

Seu Jorge ia toda semana à casa lotérica no final da sua rua para apostar os mesmos seis números no maior prêmio da loteria federal.

5 – 15 – 21 – 24 – 30 – 42

Ele jamais revelava o significado destes números, dizia que o acompanhavam desde moço, e mesmo sem nunca ganhar continuava jogando. E todos na vizinhança sabiam dessa rotina.

Um dia, Seu Jorge adoeceu.

No caixa da casa lotérica trabalhava a jovem Ana, tinha acabado de entrar na faculdade de contabilidade e tinha esperanças de sair da pequena cidade assim que se formasse e tivesse dinheiro o suficiente.

Aninha esperou o dia todo e como o senhor simpático não apareceu, jogou ela mesma os famosos números e na volta pra casa, depositou o canhoto carinhosamente na caixa de correio do Seu Jorge junto com um bilhetinho lhe desejando melhoras.

Foi nesse dia que os números de seu Jorge foram premiados.

A casa lotérica do final da rua ficou famosa no país inteiro, mas perdeu seu mais fiel e simpático cliente e sua tão prestativa balconista.

Os dois brigam até hoje na justiça pelo direito ao prêmio.

Seu Jorge defende que são seus números de sorte ali, e que qualquer um na vizinhança pode servir de testemunha dos anos em que passou apostando neles, semana após semana. Já Aninha, afirma que se os números fossem realmente da sorte – de Seu Jorge – , ele teria ganho o prêmio na primeira tentativa.