Quando encontrei minha…

Uma vez me disseram que todo mundo tem seis cópias idênticas espalhadas por aí. Disseram também que 99,99% das pessoas nunca encontra com sequer uma de suas cópias durante a vida toda, essa ideia sequer passa por suas cabeças e elas vivem muito bem com isso. Nessa ocasião, a primeira coisa que me veio a cabeça foi “sem chance de existirem sete Johnny Depp e nenhum ter esbarrado em mim ainda”.
Seja lá o que eu tenha tomado naquele dia, foi forte e eu esqueci dessa conversa de maluco assim que a ressaca começou.

Até ontem.
Quando encontrei uma garota exatamente igual a mim.

Ok, não era exatamente igual a mim, até porque deve ter no mínimo cinco anos menos, e mais espinhas.

Derrubou metade do meu café ao colocar a xícara no balcão, quando olhei pra garçonete e estava prestes a reclamar da sua falta de jeito, percebi que a conhecia de algum lugar. A garota tentava não me encarar e parecia agoniada e ansiosa para sair dali. Os cachos muito curtos davam outra moldura ao rosto e deixava a nuca à mostra como eu nunca tive coragem de cortar, mas era óbvio de quem eram aquelas sobrancelhas e o nariz nem um pouco delicado.

Continua…

E é assim que vai funcionar: Eu começo, a Amanda termina e vice-versa. O tema é escolhido por quem começa e é surpresa pra quem termina, só descobrimos junto com vocês, quando for publicado.
Sugestão dada por um querido leitor e desafio aceito!
Vamos ver no que vai dar.

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Querido Diário

Hoje eu acordei ouvindo a chuva.
Chovia e fazia frio, acho que a primeira vez que senti frio este ano, frio de verdade.
Me aconcheguei no cobertor, e aproveitei os últimos instantes de descanso, e percebi que o peso e a vontade de ficar na cama(eternamente) tinham ido embora, eles não disseram tchau, nem avisaram se vão voltar logo, mas o desânimo que me  acompanhou por tanto tempo se foi. Eu esperava essa partida tão ansiosamente, e nem percebi quando aconteceu, ele se foi e eu nem vi.
Hoje eu sentia o abraço da cama quente, mas eu olhava pra rotina e ansiava por ela, logo ali, sentada na poltrona, de roupa nova e corte de cabelo modernoso, nem parecia a mesma. E não era a mesma.

Hoje eu enfrentei a o mau tempo sem reclamar, senti o vento frio cortando a pele do meu rosto. Meus pulmões se encheram de ar gelado.
Cheguei ao meu destino, fiz coisas que os adultos fazem, a cada dia eu aprendo e as faço com uma naturalidade ensaiada, vou me tornando boa atriz, vingindo que me importo e começando a me importar de verdade.

Hoje eu saí pra almoçar dando carona no meu guarda-chuva, com pessoas novas que cruzaram meu caminho, rindo de coisas bobas que há poucos dias não fariam sentido. Me sentindo acolhida e confortável, acho que se eu mesma passasse por ali naquele momento, não me reconheceria.

Hoje eu voltei pra casa. Voltei cansada e leve, com a cabeça cheia de idéias e expectativas.

Eu tenho passado por dias estranhos.
Onde o tempo parece correr em duas direções e velocidades distintas.
Onde o terreno parece firme, e o futuro incerto.

Eu tenho passado por dias estranhos e complicados.
Dias de escolhas.
De todas as dimensões, algumas vão mudar a minha vida pra sempre, outras que vão mudá-la por um tempinho, e algumas bobas que não fazem muita diferença mas me partem o coração. Como escolher entre ler e conversar com alguém querido. Ou entre escrever e dormir.

Eu tenho passado por dias alegres.
A poesia e os sonhos me seguem por onde quer que eu vá.
Eu só não tenho vindo muito aqui.


*Este blog é sobre literatura e livros, mas também é sobre duas meninas-mulheres. E esta é uma explicação e um pedido de desculpas pela minha ausência.