Dr. House – Um guia para a vida, Tony de la Torre

“I‘m fine. I’m just not happy.”

Como não amar Dr. Gregory House?
Incrível como um cara grosso, cheio de si (e de manias) conquistou e arrebatou milhões de fãs para a série.

Toni de la Torre organizou em 149 páginas as melhores tiradas do médico mais querido da TV, de uma forma a explicar o seu sucesso e incentivar a aplicação de seu modelo de felicidade.

É um livro pra descansar a cabeça, que você lê numa “sentada”, no meu caso foram quatro, duas idas e voltas do trabalho, que eu tive que me segurar para não rir alto e passar vergonha.

Logo no início você pode fazer um teste para descobrir quanto de House há em você, e já começa a diversão quando você identifica as respostas que daria em pensamento, mas só sendo um grandessíssimo filho da puta poderia falar em voz alta.

E o guia segue citando passagens da série onde a forte personalidade do doutor é evidenciada, e destacando como você deve agir para se tornar tão foda quanto ele. O princípio do mau humor constante, como desconfiar de todos (everybody lies), idealizar uma realidade impossível, fechar os sentimentos num local inalcançável, depreciar quem está a sua volta… isso e muito mais da simpatia esbanjada pelo House.

O livro é tão exagerado que tem um tom de psicologia reversa (psicólogos e afins me perdoem se eu estiver falando bobagem), mostra tanto os efeitos de ser uma pessoa tão intratável que poderia simplesmente dizer “Gente, prestenção! O House não é feliz, por favor parem de querer ser como ele!”.

Seja você mesmo, fale mais o que pensa e confie no seu trabalho. Foram lições que pude tirar, mas claro, tudo tem que ser dosado e pensado, afinal viver em sociedade ainda é necessário.

No final um quadro compara House a Sherlock Holmes, outro adorável/odiável da ficção, e também conta com uma seleção musical (que você pode ouvir aqui) perfeita para apreciar e se encher do rancor gracinha desse personagem.

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Deuses Americanos, Neil Gaiman

Eu não sabia o que esperar deste livro, estava na minha lista há muito tempo por causa do autor, mas eu não tinha a mais remota idéia do que se tratava. Eu só esperava muito.

Shadow é o nosso herói, e no sentido mais literal possível. Um homem simples, grandalhão, muitas vezes estúpido e algumas vezes surpreendentemente sábio. É um ex-presidiário, contratado por Wednesday como guarda-costas após um episódio trágico em sua vida, que lhe fez perder o chão e a vontade de viver. Wednesday por sua vez é uma figura obscura, especialista em trapaças e mentiras, que sai pelos Estados Unidos realizando visitas, e encontrando uma lista de figuras conhecidas por nós, como por exemplo um Leprechaun irlandês (que simpatizei imediatamente). Enquanto é arrastado nessa viagem, Shadow mais faz apanhar e se meter em encrencas do que proteger Wednesday como devia.

No meio de um pré-guerra entre os novos e velhos deuses, Shadow, que ainda se considera um cara comum, vai seguindo o fluxo sem entender muito bem pra onde vai, acredito que de uma forma bem próxima ao leitor, que tenta, mas não consegue adivinhar os possíveis rumos.

Nos dois lados dessa guerra estão os deuses da antiguidade, que foram de alguma forma trazidos para a América, dentro de alguma oração ou crença fervorosa, de algum lugar onde eram adorados e a eles dedicados os maiores esforços e melhores sacrifícios. E os novos deuses, que conhecemos muito bem (pode parecer piada, e provavelmente é), como a televisão, internet, eletrônica, etc… Que são adorados hoje, e a quem dedicamos nosso bem mais precioso, o tempo.

Gaiman escreve de forma leve e clara, e no início de cada capítulo há um trecho de música, poema, citação ou ditado popular que se conecta diretamente com o texto que vem a seguir. Muitas vezes li e reli essa parte pra depois conferir a relação com o capítulo.

É um livro para reflexão em vários níveis, nem me atrevo a sugerir que você leia se baseando no que acabei de escrever. Leia pela criatividade do Gaiman, para valorizar todo o estudo e pesquisa que ele realizou para criar essa obra cheia de referencias fantásticas.

Antes de ler Deuses Americanos, eu sugiro que você leia Coisas Frágeis (que a Amanda vai fazer a resenha!), um livro de contos do autor que cativa e encanta, e não tem os pequenos pecados permitidos nas longas narrativas.

Licença para um pequeno desabafo: Todas as vezes que li Neil Gaiman, me maravilhei no início, e depois da metade do livro eu tenho a impressão de que ele esfria. Parece que ele cansou da história e quer dar logo um fim. É uma pena, por que gosto muito do estilo, e admiro toda a sua inventividade. Em uma parte de Deuses Americanos, quando Shadow está refugiado em uma cidadezinha, é possível imaginar o próprio Gaiman, sentado em uma cabana, tentando descobrir o que fazer com o que já escreveu, indeciso entre queimar e terminar.

Em tempo: Obrigada a quem ajudou a escolher o livro na enquete. Memórias de Uma Gueixa foi o vencedor, já estou lendo e adorando! Resenha em breve.

Seleção Mulherzinha

Preparamos para nossas leitoras (e leitores também, por que não?) uma seleção com os melhores livros “mulherzinha” de nossas estantes!

A vida secreta das abelhas, Sue Monk Kidd Lily

Uma garota de 14 anos, foge de casa em busca de respostas e conforto para o seu coração. Sua aventura é marcada por uma série de mulheres incríveis que lutam por respeito e liberdade.

 

 

 

 

Comer Rezar Amar e Comprometida, Elizabeth Gilbert

Duas histórias emocionantes, sobre como uma mulher comum superou o fim de um relacionamento onde se sentia sufocada, se encontrou, e como lutou para encontrar lugar para o amor em sua vida novamente.

 

Delírios de Consumo de Becky Bloom, Sophie Kinsella

Beck Bloom é com certeza uma caricatura de um dia de loucura no shopping. Divertidíssimo acompanhar suas artimanhas para se livrar do gerente do banco e trapalhadas no amor.

 

 

 

 

Doidas e Santas, Martha Medeiros

Doidas e Santas reúne cem crônicas que falam direto ao coração de suas leitoras. As alegrias e as desilusões, os dramas e as delícias da vida adulta, as neuroses da vida urbana, o prazer que se esconde no dia-a-dia, o poder transformador do afeto, os mistérios da maternidade, enfim, o cotidiano de cada um de nós tornou-se o principal tema da autora.

 

 

O Diabo Veste Prada, Lauren Weisberger

A jornalista recém-formada Andrea Sachs cai de pára-quedas no mundo da moda quando se torna assistente da temida e adorada Miranda Priestly, cheio de dramas e missões quase impossíveis, é uma deliciosa aventura.

 

 

 

 

O Diário da Princesa, Meg Cabot

Mia Thermopolis, uma garota nova-iorquina comum, descobre, de repente, ser a herdeira de um reino europeu. Ela vai, então, morar com seu pai, para aprender a agir como a verdadeira nobre que é. Mas sua avó, a velha princesa Genovia, acha que ela tem muito a aprender antes de poder subir ao trono.

 

 

 

Um Bom Tricô, Bebbie Macomber

Um Bom Tricô é uma lojinha em Seattle onde quatro mulheres bem diferentes se reúnem todas as semanas para aprenderem a fazer uma mantinha de bebê. Estas quatro mulheres completamente diferentes, contam uma linda história sobre superação e amizade.

 

 

 

 

Um Dia, David Nicholls

Uma história de amor do mundo real, cheia de tropeços e decepções. Resenha aqui.

 

 

 

 

 

Conte pra gente quais são os seus romances favoritos? Qual você daria de presente para alguém especial no Dia da Mulher?

Marina, Carlos Ruiz Zafón

Quando terminei de ler A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, fiquei encantada com a narrativa e a história engenhosa construída pelo autor. Querendo mais, comprei Marina.

Para Zafón, Marina é “possivelmente o mais indefinível e difícil de categorizar de todos os romances que escrevi, e talvez o mais pessoal de todos eles”. E ele tem toda a razão. O livro foi de encontro a tudo que eu esperava. É completamente diferente do que eu imaginava e, como o próprio autor disse, difícil de categorizar.

“As vezes as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela – A gente só se lembra do que nunca aconteceu.”

Marina (1999) segue uma fórmula de sucesso, replicada em A Sombrado Vento (2001): duas histórias que se cruzam e são descobertas através dos olhos de um dos personagens que, neste caso, é Óscar Drai, um rapaz de 15 anos que estuda em um internato.

Em seu tempo livre, Óscar explora as ruas de Barcelona e é durante um de seus passeios que ele conhece a encantadora menina que dá nome ao livro. Ao lado de Marina, Óscar embarca em uma aventura um tanto quanto improvável e cheia de mistérios.

Com apenas 198 páginas, o livro tem uma narrativa leve que, embora tenha elementos literários dignos de atenção, esbarra em pequenos clichês. Além disso, a história que se estende por diversos capítulos tem seu desfecho revelado em 5 páginas ou menos.

Por fim, a pergunta que surge na cabeça de muitos leitores: a história aconteceu de verdade? Não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa. Mas fica o convite para quem já leu compartilhar o que achou.

“Às vezes duvido de minha memória e me pergunto se serei capaz de recordar o que nunca aconteceu. Marina, você levou todas as respostas consigo.” – Óscar Drai