Ajude a escolher o próximo livro

Depois de terminar um livro que queria ler há muito tempo(em breve resenha aqui!), fiquei indecisa na escolha do próximo, nenhum me empolgou tanto.

Então, vou pedir a ajuda de vocês! São dois livros comprados recentemente, dos quais tenho quase nenhuma referência.

É só um clique no seu favorito!

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Don’t let the movie ruin the book

Eu tenho um problema com adaptações. A Amanda tem um problema com adaptações. A maioria das pessoas que conheço que gostam de ler tem algum problema com adaptações. E pelo visto muita gente pelo mundo se sente incomodada  quando o assunto é adaptação para o cinema.

Não que seja uma coisa ruim, de forma alguma, mesmo porque acredito que grandes histórias devam chegar ao grande público e infelizmente a leitura ainda é um hábito elitizado (não gosto dessa palavra, mas acho que é a que melhor descreve), mas para minha esperança, este cenário tem mudado com a popularidade dos romances teen, e que torço para que sejam o primeiro passo para os novos leitores (BTW, assunto pra outra hora).

Uma fatia considerável dos sucessos de bilheteria recentemente lançados foi baseada em livros, e a maioria dos espectadores não leu, ou nem mesmo sabia da existência dos mesmos. E a campanha “Read it first”, foi criada para incentivar a leitura, e a imaginação, antes de ver as cenas projetadas na telona (ou na telinha).

Para participar, basta acessar o site, clicando na imagem acima, e preencher com os seus dados, e jurar, sempre que humanamente possível ler os livros antes de assistir aos filmes. Se você não quiser ser tão drástico, pode prometer ler quando bem entender, e mesmo assim receber notificações sobre futuros lançamentos baseados em livros. 😉

É preciso compreender que o filme é a interpretação de uma pessoa, com toda certeza uma pessoa que estudou e pesquisou muito, mas ainda assim é passível de falhas. Ás vezes podemos nos decepcionar com a adaptação de um livro que gostamos muito, mas o prazer também está na surpresa e em poder comparar as diferenças, ou ver que compartilhamos certos pontos de vista.

Se dê o direito e o prazer de ter uma primeira opinião.

Descobrimos pelo blog: Introducing you a Book

Velhos Desconhecidos

Ela entrou no ônibus lotado na hora do rush. Quando os olhos se encontraram, instantaneamente brotou um brilho de reconhecimento.
– Oi [insira aqui o nome do cara que virou sua cabeça], tudo bem com você?
– Oi! Quanto tempo [escolha o nome da garota dos seus sonhos]!
– Ai, como tá cheio, posso ficar aí?
– Aqui? Onde?
– Aí, entre você e o banco.
– Tem certeza?
– Tenho. Pelo menos você eu já conheço, já sei como é… [um sorriso tímido]… e a gente pode colocar a conversa em dia.
Eles demoraram menos de um segundo pra se ajeitar, ela colada ao banco de um passageiro, ele atrás, como se a estivesse protegendo. Encostou suas costas no peito dele e suspirou. Olhou pra baixo muda, sem saber o que dizer, enquanto ele engolia em seco olhando pra uma pixação no teto que dizia “Shit hap”, e tentando imaginar que merda poderia ter acontecido.
– Então, como é que… ?[as palavras morreram no fundo da garganta dele]
– Sabe, eu acho que não sei mais como é.
– Nem eu.
Ele selou o pacto de silêncio com um beijo em seus cabelos, e como velhos desconhecidos, se despediram.

2073

Se olhava no espelho com um interesse genuíno. Observou seu rosto, tentando lembrar-se de como era antes. Pegou o grampo na penteadeira a sua frente e notou que suas mãos tremiam um pouco. Ajeitou a mecha do cabelo e a prendeu, deixando a franja solta, como sempre quis fazer desde que tinha 13 anos. Naquela época, achava sexy. Difícil pensar assim quando se tem 83 anos.

Enquanto observava as rugas em seu reflexo (poderia enumerar as ocasiões em que elas surgiram) o dia ia nascendo e não demorou para que os primeiros raios de sol brilhassem em seu cabelo prateado.

Sentiu o cheiro do café subir as escadas, chamando-a, e, aos poucos, ouvia a casa acordar. Estavam todos ali, para comemorar o grande dia. Ao entrar na cozinha, encontrou seu companheiro, amigo e amante de muitos anos. Aqueles olhos azuis que por tantas vezes a admiraram e a fizeram ficar admirada (como podiam ser tão azuis?!). Sua gratidão por ele era tão grande que, só de pensar, já inchava dentro do peito, causando aquele desconforto bom que apenas as coisas especiais nos fazem sentir.

Mas ela não o amava, não como nos filmes. Lembrou-se da época em que acreditava no amor. A juventude. Era tudo tão lindo e mágico, não era? A simples ideia de se casar sem estar perdidamente apaixonada lhe parecia absurda. Mas não podia reclamar. Ele era realmente muito bom pra ela e eles foram muito felizes juntos. Construíram uma família e tinham filhos, netos e a primeira bisneta – que chegaria ao mundo em apenas 7 dias.

O dia passou rápido – como a vida – e já era fim de tarde quando o carro parou em frente à casa e a encontrou descansando no balanço. Seus olhos brilharam e seu coração pulou uma batida. Setenta anos. Há setenta anos ela recebia lírios brancos em seu aniversário e, mesmo assim, os esperava sempre com ansiedade, com medo de que um dia eles não fossem mais entregues.

Não sabia quem os mandava – acredite, passara anos tentando descobrir, desconfiando de parentes, pais e amigos – mas os recebia sempre com carinho. Fevereiro cheirava a lírios.

Mas aquela não era uma entrega comum. Nem um entregador comum. Após 10 (ou seriam 30?) segundos de surpresa, lembrou-se que tinha que respirar e parou de prender a respiração. Era ele. Ela sempre soube, mas nunca acreditou. Ele estava, finalmente, vindo lhe entregar as flores. Ainda usava o mesmo perfume e o mesmo sorriso. Vestia uma calça de tweed e tinha os cabelos brancos bagunçados, como se idade alguma o fizesse usar um pente.

Ele lhe entregou as flores e desejou-lhe Feliz Aniversário. Olharam-se em silêncio sabendo, pelo histórico que tinham, que qualquer palavra quebraria a beleza frágil daquele momento.

Ele estava virando as costas para ir embora quando ela chamou seu nome. Não sabia o que dizer, apenas queria a companhia por mais alguns segundos. Limitou-se a sorrir. Algumas coisas não precisam ser ditas para ser compreendidas.

Naquela noite, chorou, um pouco de tristeza, um pouco de felicidade. Dormiu envolta no perfume das flores e não acordou mais.

Um capítulo*

A manhã estava calma, não havia sinal da tormenta que fora a noite anterior.

Ele gostava de respirar a grande cidade àquela hora, os raios de sol começavam a se confrontar com a grande muralha, chamando o mundo para um novo dia.

Como todas as manhãs, seguia para os portões levando consigo a imensa cesta com o desjejum dos guardas. Usava a tradicional veste da Ordem, calça de algodão cru e o sobretudo do mesmo tecido abotoado até o cós da calça, formando uma capa esvoaçante; achava um tanto conservador, mas o corte facilitava os movimentos. Caminhava silenciosamente pela avenida principal, andando pelos telhados, sentindo-se um garoto fazendo uma travessura.

A neve parecia feita de algodão, a cidade estava linda, como um templo sagrado e intocado. Sagrado. E agora talvez intocado, já havia séculos que nada adentrava a muralha, nem boas nem más noticias, um refugio de paz, em meio a inúmeras guerras e batalhas.

Lembrou-se da tempestade, ela fora prevista há alguns meses, na ultima conferencia. Paulo não previra a tempestade literalmente, mas depois daquela noite se convencera. “Uma mudança… Mudança que balançaria os alicerces daquela sociedade”. E era verdade, uma tempestade como aquela, talvez acabasse com o plantio, e traria a fome por muitos meses. Ninguém podia saber o que a tempestade teria causado nas terras daquele povo.

Afastou os maus pensamentos de sua mente, e contemplou o silencio antes de chegar aos portões. Viu-se pequeno, minúsculo… e a quase trinta metros acima dele, seu fiel companheiro chegava de seu passeio noturno.

– Angelus! Não faça barulho garoto… Venha cá! Tenho um presente para você!

O enorme animal desceu suavemente rente a muralha de carvalho, e pousou ao lado de Paulo.

– Olha, aqui está. – tirou do bolso um embrulho quadrado, abriu e estendeu a mão, mostrando uma grande barra de cor escura e aparência não muito apetitosa. – Mais uma experiência de Jorge, qualquer dia ele vai nos matar…

O hipogrifo com penas negras e douradas, chamado Angelus, examinou a barra, a ele parecia um tijolo queimado.

– Coma! Não pode ser tão ruim – ele não acreditava nas próprias palavras – Ele disse que é feito de cacau, mas parece muito duro não sei se conseguiria morder. Vamos lá amigão, tente.

Angelus cheirou, parecia bom. Atacou o tijolo com o bico, e o doce parecia derreter… muito, muito bom… Olhou de volta para o amigo humano, e atacou a barra novamente.

– Hunf… É bom assim? Então deixe um pouco, também quero experimentar. Você está cansado, pode ir dormir, sua almofada esta limpinha no meu quarto. Tia Júlia teve outro ataque de limpeza, virou nosso quarto do avesso… Vai lá… Pode ir dormir.

Angelus preparou o voo, e parou, encarou Paulo.

– O que foi? Tem novidades? – O hipogrifo fez uma longa reverência, e Paulo retribuiu – Aceito sua companhia, mas vai ter que esperar os guardas comerem. – Angelus ergueu o bico, num gesto orgulhoso.

Vasculhou os bolsos até encontrar uma grande chave cor de cobre.

Suspirou profundamente, sabia que a abertura dos portões era o despertador daquela gente. Colocou a chave na fechadura enferrujada em forma de infinito, ou como ele mesmo dizia quando era criança, em forma de oito. E… “Primeiro em baixo… duas voltas para direita… em cima… três para esquerda e uma para direita de novo… apertar no meio até ouvir um ‘click’…”. Paulo tinha medo de um dia esquecer como abrir aquilo. Logo após o “click”, ouviu-se a engrenagem dos portões percorrer toda extensão da muralha, num ruído gracioso.

Já tinha visto muitas coisas, e cenas inusitadas ao abrir os portões, mas com aquilo ele não sabia lidar.

Depois de alguns segundos observando ainda não acreditava no que via. Conseguiu recuperar a fala e sussurrou: “Angelus… traga ajuda…”.

* Este é o primeiro capítulo de um projeto que ficou na gaveta por muito (muito) tempo. Ele vai ser retomado a qualquer momento,  essa é uma amostra que queria compartilhar com vocês. 

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

A Sombra do Vento, do espanhol Carlos Ruiz Zafón, é uma história de amor. Na verdade, é a história de muitos amores. Amores puros, eternos, carnais, desconhecidos, vingativos, leais.

1945, Barcelona. O dia ainda se escondia no horizonte quando Sempere decidiu que seu filho, Daniel, estava grande o suficiente para conhecer o seu segredo: o Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca no coração da cidade que guarda obras fantásticas, mas esquecidas, à espera de que alguém as descubra.

No Cemitério, cada novo visitante pode escolher um exemplar para cuidar e proteger. Daniel se deixa escolher por A Sombra do Vento, do barcelonês Julián Carax. O livro o conquista e fascina de maneira inesperada e desperta em Daniel a vontade de saber mais sobre o autor e sua obra. É então que o rapaz descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que Carax já escreveu.

A partir daí, a história se desenvolve em uma trama de mistério, aventura, paixão e perigo, que faz o leitor correr as páginas em busca do desfecho final. Descobrimos um Julián Carax apaixonante apaixonado, por histórias e por Penélope. E um Daniel destemido e determinado, que passa para o leitor a curiosidade e a afeição que tem pel’A Sombra do Vento (leitor este que acaba frustrado por não poder ler A Sombra do Vento do próprio Carax).

O livro nos faz perceber o poder de uma boa história. Nos faz lembrar dos livros que já lemos e como eles capturaram pequenos fragmentos de nossas vidas e os transformaram em nostalgia.

O livro nos faz sentir assim:

“Um segredo vale o quanto valem aqueles dos quais temos que guardá-lo.” – Daniel Sempere (A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón)

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Num desses passeios por sebos, que gosto tanto, mas faço tão pouco, encontrei um livro com a capa estampada com corações e muito me espantei por lembrar do título e autor de algum lugar. Até agora não me lembrei de onde, mas a referência deve vir de muitos lugares, já que Scott Fitzgerald é considerado um dos maiores escritores americanos do século XX </wikipedia>.

"E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado."

Não encontrei muito sentido no início e desanimei da leitura.

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Durante as primeiras páginas assisti o filme Meia-Noite em Paris, e ao ver ali a personificação de Fitzgerald me dei conta de que ele era uma pessoa como nós, com os mesmo sentimentos e dúvidas, só que em outra época, onde a expressão era diferente, a arte era diferente, não eram necessárias tantas explicações. Eu não poderia encara-lo como um livro atual, esperando que seguisse as mesmas fórmulas que conheço.
Então resolvi parar de tentar encontrar o ritmo e deixei que ele me encontrasse.
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Como o título se refere, encontramos a história de Gatsby, mas sem a grandiosidade que se espera, é um homem que impressiona à primeira vista, mas que em vários momentos da narrativa mostra não ter muito conteúdo. O rapaz que nasceu em uma casa pobre, se apaixonou por uma jovem da alta sociedade que não poderia sequer pensar em desposar. Parte para a guerra (a primeira) e reaparece após cinco anos, morando em uma belíssima casa, onde oferece festas extravagantes à desconhecidos que não sabem de sua real origem ou da origem de sua riqueza.

O objetivo de Gatsby é reconquistar seu antigo amor, Daisy, que está casada com o rico, arrogante e infiel Tom Buchanan.

Com a narração de Nick Carraway, temos uma visão ampla dos personagens da trama, ele conta os episódios dos quais atua ou é espectador, por esse motivo não há um aprofundamento no perfil psicológico das personagens, e logo no início ele conta que foi educado de modo a não julgar ou criticar as pessoas. Tanto que ele conhece segredos que poderiam favorecer um ou outro amigo, mas fica à margem dos acontecimentos.

Passamos por três meses da vida de Gatsby, o período que Nick foi seu vizinho e acabou se tornando seu único amigo, acompanhamos de seus planos infantis até seu final trágico.

Não foi uma de minhas leituras favoritas, mas recomendo, saboreei os momentos que passei, tendo certeza de que era uma experiência nova. Se houver a oportunidade, leia e viaje por um tempo distante, mas não tão diferente do nosso.